Ubisoft enfrenta nova ação na França por encerramento de The Crew

A Ubisoft voltou a ser alvo de críticas depois de revogar licenças de jogadores do título original The Crew, atitude que resultou em uma nova ação judicial na França. Em 31 de março, a associação de consumidores UFC-Que Choisir anunciou um processo no tribunal de Créteil alegando práticas comerciais consideradas enganosas e cláusulas abusivas no contrato do jogo. A organização afirma que os termos da empresa tratam a compra como mera “licença de uso” passível de revogação unilateral pelo editor, o que tornou o caso objeto de disputa. A ação recebeu apoio da iniciativa europeia Stop Killing Games, que já vinha mobilizando jogadores contra o encerramento de serviços online. O processo volta a colocar no centro do debate a relação entre editores e direitos dos consumidores em produtos digitais.

Segundo a UFC-Que Choisir, é “inaceitável” que as condições gerais pré-estabeleçam a possibilidade de revogação a qualquer momento sem garantias contratuais claras para o consumidor. A associação formalizou a queixa com base na interpretação de cláusulas que limitariam a aquisição a uma licença e não a uma propriedade duradoura do produto. O movimento Stop Killing Games endossou a iniciativa, reforçando a pressão pública e jurídica sobre a Ubisoft em prol dos jogadores afetados. A mobilização ao redor do caso também levantou questionamentos sobre transparência nas contratações digitais e informações pré-venda.

Esse não é o primeiro litígio envolvendo The Crew: a editora já enfrentou ações similares nos Estados Unidos, com alegações de violação de leis de proteção ao consumidor. Na disputa norte-americana, advogados da Ubisoft contestaram as acusações, afirmando que as reclamações não configuravam um caso sólido. Os demandantes adotaram uma estratégia ampla, apontando diversas causas de ação em nome de uma potencial classe de consumidores, segundo documentos citados pela defesa. Entre as acusações estão infrações a leis estaduais sobre propaganda enganosa, concorrência desleal e violações contratuais, além de alegações de fraude e quebra de garantia.

O CEO Yves Guillemot comentou a campanha e a petição que já ultrapassou 1,4 milhão de assinaturas, enfatizando que a empresa atua em um mercado onde o suporte a títulos online tem custo e prazo limitado. Guillemot destacou que a Ubisoft oferece serviços contínuos para manter os jogos acessíveis e operacionais 24 horas por dia, mas reconheceu que nenhum serviço é eterno. Ele também citou as condições padrão da empresa, que permitem cancelar acessos a funcionalidades online mediante aviso prévio de 30 dias. Como exemplo de compensação, a companhia promoveu um desconto massivo em The Crew 2, oferecendo a atualização por um euro para compradores — uma tentativa de amenizar o impacto para jogadores. A posição oficial sublinha a tensão entre viabilidade operacional de servidores e expectativas de posse dos consumidores.

O que a ação pretende alcançar

A ação de UFC-Que Choisir busca, em essência, reconhecer práticas contratuais abusivas e obter reparação para os consumidores prejudicados pelo encerramento dos serviços. Entre os pedidos possíveis estão a anulação de cláusulas consideradas ilegais, compensações econômicas e mudanças nas informações fornecidas no momento da compra. O respaldo de uma iniciativa europeia amplia a dimensão política do caso, podendo influenciar regulamentações e decisões judiciais em outros países do continente. Se reconhecidas, as alegações podem obrigar editores a reformular contratos e oferecer garantias mais claras sobre a disponibilidade de serviços online. Além disso, o processo pode servir de referência para futuras disputas sobre propriedade digital e direitos do consumidor.

Impacto para jogadores e indústria

Para os jogadores, a disputa evidencia a fragilidade da posse quando produtos dependem de servidores e licenças controladas por terceiros. Uma decisão favorável aos consumidores poderia estabelecer precedentes que aumentem a responsabilidade dos editores em manter serviços ou compensar usuários afetados. Para a indústria, o caso acende o debate sobre modelos de negócio e custos de manutenção de infraestrutura online, podendo pressionar empresas a adotar termos mais transparentes e mecanismos de compensação. Observadores do setor também apontam que o desfecho influenciará a confiança do público em compras digitais e a formulação de políticas públicas sobre economia digital.

Eduardo Reis

Sou entusiasta de Tecnologia, Gamer, Blogueiro e Editor do Portal do Pixel.
Story: Modern Warfare 4 chega em 23 de outubro para PS5, Xbox Series e Switch 2 Story: Valve reajusta preços do Steam Deck OLED por conta do aumento em memória e armazenamento Story: 007 First Light é lançado mundialmente e IO Interactive agradece aos fãs Story: Temporada 3 de Battlefield 6 revela armas, mapas e modo ranqueado Story: Hotfix de Starfield corrige quedas no PS5 Pro; patch para PS5 chega na semana que vem
Story: Modern Warfare 4 chega em 23 de outubro para PS5, Xbox Series e Switch 2 Story: Valve reajusta preços do Steam Deck OLED por conta do aumento em memória e armazenamento Story: 007 First Light é lançado mundialmente e IO Interactive agradece aos fãs Story: Temporada 3 de Battlefield 6 revela armas, mapas e modo ranqueado Story: Hotfix de Starfield corrige quedas no PS5 Pro; patch para PS5 chega na semana que vem