Ubisoft se posiciona sobre campanha “Stop Killing Games”
“Suporte para todos os jogos não pode durar para sempre”
A indústria dos games está passando por um momento delicado. Com mais de 1,4 milhão de assinaturas, a campanha europeia Stop Killing Games tem ganhado cada vez mais visibilidade, levantando uma discussão séria sobre a descontinuação de jogos digitais por grandes empresas. E, desta vez, quem entrou na conversa foi ninguém menos que Yves Guillemot, CEO da Ubisoft, que comentou o tema em reunião com acionistas.
Segundo Guillemot, embora a empresa ofereça suporte robusto para seus lançamentos, a realidade é que nenhum serviço é eterno. O executivo explicou que a Ubisoft fornece atualizações, recursos online e suporte contínuo para garantir que seus jogos funcionem 24 horas por dia, sete dias por semana. No entanto, ele foi direto ao afirmar: “eventualmente, o suporte precisa acabar”.
O caso The Crew e a crítica dos jogadores
O debate ganhou força recentemente com a polêmica em torno do desligamento dos servidores de The Crew, jogo lançado em 2014. Para tentar amenizar a situação, a Ubisoft ofereceu The Crew 2 por apenas 1 euro aos donos do título original. Para Guillemot, isso representou uma forma justa de transição, dizendo que “não é muito dinheiro para continuar jogando”.
Ainda assim, muitos consumidores viram a medida como um consolo insatisfatório, já que perderam acesso a um produto pelo qual pagaram anteriormente. Como agravante, a empresa também enfrenta um processo judicial que questiona se os jogadores realmente “possuíam” o jogo, colocando em xeque a validade da compra digital sem garantias de uso contínuo.
“Nada é eterno”, diz CEO
Guillemot destacou que a obsolescência de software é um desafio comum em qualquer setor de tecnologia. Ferramentas ficam ultrapassadas, sistemas operacionais mudam, e os jogos — especialmente os que dependem de servidores online — acabam se tornando incompatíveis com novas plataformas.
“Lançamos novas versões porque o software original se torna obsoleto com o tempo”, explicou. “Por isso temos o The Crew 2, depois virá o 3, e assim por diante.”
O CEO também fez questão de ressaltar que o problema não é exclusivo da Ubisoft. Segundo ele, todos os grandes estúdios enfrentam o mesmo dilema: manter serviços ativos custa caro, e chega um momento em que é financeiramente inviável continuar com o suporte.
Offline no horizonte?
Como resposta às críticas, a Ubisoft revelou que está trabalhando para implementar um modo offline em The Crew 2. A medida busca garantir que os jogadores possam continuar aproveitando o game mesmo que os servidores eventualmente sejam desligados — algo que, para muitos consumidores, já deveria ter sido padrão desde o lançamento.
Essa atitude pode indicar uma mudança de postura por parte da empresa, diante da pressão pública e jurídica. Com o lançamento de GTA VI se aproximando (previsto para 26 de maio de 2026), a indústria como um todo parece entrar em uma fase de reestruturação de seus modelos de serviço.
O futuro do acesso digital está em debate
A fala de Guillemot escancara uma verdade desconfortável: os jogos digitais não são realmente “nossos”, mesmo quando os compramos. O encerramento de serviços pode nos tirar o direito de jogar, e o consumidor fica, na prática, sem garantias. A campanha Stop Killing Games surge justamente para pressionar por mais transparência, durabilidade e opções offline nos jogos modernos.
Enquanto isso, a Ubisoft tenta equilibrar seu modelo de negócios com a crescente insatisfação dos jogadores. Resta saber se esse movimento da indústria será suficiente para mudar a forma como interagimos com nossos jogos — e o que significa “comprar” um game em 2025.
Sou entusiasta de Tecnologia, Gamer, Blogueiro e Editor do Portal do Pixel.