Meta desloca Horizon Worlds para o mobile e afasta a ênfase em VR

Meta's flagship metaverse service leaves VR behind - Ars Technica
Imagem: Divulgação / Reprodução

Mudança de estratégia

A Meta anunciou a desvinculação do serviço social e de jogos Horizon Worlds da plataforma de realidade virtual Quest e de sua loja digital. A empresa informou que vai concentrar o foco da experiência “Worlds” quase exclusivamente em dispositivos móveis, migrando boa parte da atenção para smartphones e tablets. Apesar do recuo aparente, a comunicação oficial ressalta que o ecossistema de desenvolvimento em VR continuará a receber suporte e investimentos estratégicos. Essa alteração marca uma mudança clara na narrativa da companhia sobre o que seria um metaverso integrado.

Contexto e motivos

Os movimentos ocorrem após perdas bilionárias em Reality Labs: a Meta reportou investimentos de cerca de US$ 80 bilhões sem retorno, equivalente a aproximadamente R$ 424 bilhões. Em janeiro houve demissões que atingiram mais de 1.000 funcionários em Reality Labs, embora a divisão ainda empregasse mais de 15.000 pessoas antes dos cortes. As dispensas afetaram, em maior parte, estúdios internos responsáveis por conteúdos e jogos em VR, enquanto áreas ligadas à realidade aumentada foram menos impactadas. Esses sinais indicam uma reavaliação das prioridades entre hardware, conteúdo próprio e apoio a desenvolvedores externos.

Alterações na loja e no desenvolvimento

Entre as iniciativas anunciadas está a remoção de mundos individuais da loja VR, medida justificada como forma de melhorar a descoberta para desenvolvedores terceiros. A Meta tem enfatizado que cerca de 86% do tempo efetivo que usuários passam em headsets de VR é dedicado a aplicativos de terceiros, informação usada para embasar a nova estratégia. Com isso, a empresa pretende reduzir o desenvolvimento interno de experiências e ampliar parcerias e investimentos direcionados ao ecossistema de criadores. Para estúdios independentes, a mudança pode ampliar oportunidades de monetização, ao passo que diminui o protagonismo de conteúdos produzidos pela própria Meta.

O futuro da plataforma e do hardware

Segundo comunicados, a Meta seguirá projetando, fabricando e vendendo hardware de realidade virtual e manterá as lojas digitais para que desenvolvedores terceiros comercializem seus produtos. O lançamento do Horizon Worlds em dispositivos móveis atraiu um número significativo de novos usuários interessados nas funcionalidades sociais e de jogo, mais do que na experiência exclusiva em VR, o que reforçou a decisão de priorizar o mobile. Internamente, a produção de conteúdo próprio para VR será reduzida, indicando menor ênfase em um metaverso abrangente por ora. Ao mesmo tempo, os investimentos da companhia parecem direcionados para realidade aumentada, óculos inteligentes e aplicações de inteligência artificial.

Eduardo Reis

Sou entusiasta de Tecnologia, Gamer, Blogueiro e Editor do Portal do Pixel.
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