Funcionários relatam ter visto gravações íntimas feitas por óculos Ray‑Ban Meta

Relatório sueco afirma que funcionários de uma subcontractada da Meta assistiram a gravações feitas por óculos Ray‑Ban Meta que incluem cenas íntimas, como pessoas se trocando e usando o banheiro. Os relatos vieram de entrevistas com mais de 30 empregados da Sama, empresa queniana que realiza anotação de dados para projetos da Meta. Segundo as fontes, esses revisores trabalham com vídeo, imagem e transcrição de áudio para treinar sistemas de IA e, ocasionalmente, lidam com material sensível. Os autores do relatório dizem que não tiveram acesso direto aos arquivos analisados nem às salas de trabalho onde a anotação é feita.
Fontes descrevem casos em que os revisores viram gravações involuntárias, como cartões bancários sendo filmados ou conteúdo adulto em reprodução, além de imagens de ambientes domésticos privados. Diversos entrevistados relataram que as filmagens mostravam pessoas nuas ou se trocando depois que o proprietário havia saído do local. Os trabalhadores dizem que, mesmo reconhecendo o caráter privado do material, são pressionados a concluir a tarefa de anotação sem discutir o conteúdo. Essas situações teriam causado desconforto entre os funcionários, apontam os relatos.
Meta confirma uso de revisores
Em resposta a questionamentos, a Meta reconheceu que, às vezes, compartilha conteúdo com contratados para revisão com o objetivo de melhorar produtos e experiências de IA. A empresa afirma que aplica filtragens iniciais para proteger a privacidade, como desfoque de rostos, antes de enviar o material para análise humana. A política de privacidade para os óculos indica que fotos e vídeos podem ser enviados para processamento em nuvem quando o usuário ativa essa opção ou interage com os serviços da Meta. A política também menciona que transmissões ao vivo, transcrições e gravações podem ser usadas para treinar e solucionar problemas dos produtos.
Processamento e opções do usuário
A Meta diz empregar aprendizado de máquina e revisores treinados para processar esses dados, e que parceiros terceirizados ajudam nesse trabalho. O usuário teria acesso a gravações e transcrições no aplicativo Meta AI e pode deletá-las, segundo a empresa. Entretanto, relatos indicam que muitos proprietários dos óculos podem não ler ou compreender todas as configurações e permissões associadas ao dispositivo. O aparelho também possui um LED vermelho que indica gravação, mas há críticas de que a luz passe despercebida ou seja mal interpretada.
Posição da Sama
A Sama afirmou que não comenta sobre clientes específicos ou projetos, mas garantiu conformidade com GDPR e CCPA e disse manter procedimentos auditados para proteção de dados. A empresa ressaltou que o trabalho ocorre em instalações seguras, com controle de acesso e proibição de dispositivos pessoais nas áreas de produção. Segundo a Sama, os colaboradores passam por checagem de antecedentes e treinamentos sobre proteção de dados, além de receberem salários e benefícios. Apesar disso, ex-funcionários e ativistas seguem questionando transparência e condições do processo de revisão.
Ação judicial e fiscalizações
As alegações motivaram uma ação coletiva proposta contra a Meta e a subsidiária responsável pelos óculos, que alega publicidade enganosa ao prometer ‘privacidade controlada pelo usuário’. O processo busca indenizações, penalidades e mudanças nas práticas de coleta e uso de dados para evitar novas violações. Autoridades regulatórias, incluindo vigias de proteção de dados, reabriram questionamentos e solicitaram explicações à empresa sobre o manuseio dessas imagens. Além disso, há preocupações sobre planos de adicionar reconhecimento facial aos aparelhos, o que ampliaria riscos de privacidade caso se concretize.
Enquanto isso, especialistas recomendam que proprietários revisem configurações de processamento em nuvem e privilégios de uso do assistente para reduzir exposição de dados sensíveis. A situação evidencia a tensão entre recursos de IA que dependem de dados humanos e a necessidade de regras mais claras para proteger a privacidade. Consumidores e reguladores devem acompanhar desdobramentos do processo e eventuais mudanças nas políticas das empresas envolvidas. Até que medidas adicionais sejam tomadas, usuários que se preocupam com privacidade podem optar por desativar o processamento em nuvem e revisar permissões do dispositivo.
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