Desenvolvedores da Capcom e Ubisoft teriam sido pegos de surpresa com anúncio do Nvidia DLSS 5

Capcom, Ubisoft Developers and Artists Were Left in the Dark About Nvidia’s DLSS 5 Showcase – Rumor
Imagem: Divulgação / Reprodução

O anúncio do DLSS 5 pela Nvidia causou um impacto imediato na indústria de jogos, mas os bastidores revelam uma situação inesperada para os criadores. Relatos recentes sugerem que profissionais de grandes estúdios não sabiam que seus trabalhos seriam usados na demonstração da tecnologia. De acordo com informações de bastidores, desenvolvedores e artistas de empresas como Capcom e Ubisoft teriam descoberto a existência do novo recurso simultaneamente ao público geral.

Um desenvolvedor da Ubisoft afirmou que a equipe soube da novidade apenas durante a transmissão oficial da Nvidia, sem qualquer aviso prévio. O choque foi ainda maior entre os times da Capcom, tradicionalmente conhecidos por uma postura interna mais cautelosa em relação ao uso de inteligência artificial generativa. O foco das atenções recaiu sobre o aguardado Resident Evil Requiem, que foi um dos destaques visuais da apresentação feita pela fabricante de hardware.

Tensões internas e a polêmica sobre o uso de IA

A situação na Capcom parece envolver um receio genuíno de que a liderança da empresa mude sua filosofia sobre o desenvolvimento de jogos. Existe o medo entre os artistas de que a tecnologia de IA seja imposta em projetos que já possuem uma identidade visual definida, forçando uma implementação que não estava nos planos originais. Essa resistência interna contrasta com o discurso oficial da Nvidia, que tenta tranquilizar o mercado sobre a autonomia dos estúdios.

Ben Berraondo, diretor sênior de relações públicas global da GeForce, utilizou as redes sociais para esclarecer que a inclusão de Resident Evil Requiem no showcase foi feita em colaboração com a Capcom. Segundo o executivo, os próprios times dos estúdios trabalharam na integração, garantindo que os desenvolvedores mantivessem um controle artístico detalhado sobre o que foi exibido. Essa divergência de relatos aponta para uma possível falta de comunicação entre os setores administrativos e criativos das empresas envolvidas.

O funcionamento da renderização neural do DLSS 5

Apresentado como um salto geracional, o DLSS 5 utiliza vetores de movimento e dados de cores para infundir cenas com iluminação e materiais fotorrealistas. A Nvidia afirma que a ferramenta consegue preencher a lacuna entre a renderização tradicional e a realidade, entregando um nível de fidelidade antes restrito aos efeitos visuais de grandes produções de Hollywood. A promessa é de uma consistência visual absoluta entre os quadros, ancorada no conteúdo 3D original do jogo.

Apesar do avanço técnico, o resultado visual gerou críticas pesadas de especialistas e jornalistas da área. Muitos descreveram o efeito como algo estranho e artificial, alegando que a tecnologia altera as características dos personagens de forma excessiva. Críticos argumentam que a visão artística original está em risco, já que a IA pode homogeneizar o visual dos jogos, removendo imperfeições propositais que fazem parte da estética de cada título.

Defesa da Nvidia e controle criativo

O CEO da Nvidia, Jensen Huang, defendeu publicamente a tecnologia contra as críticas recentes. Ele explicou que o DLSS 5 não deve ser confundido com um simples filtro de pós-processamento aplicado sobre a imagem final. Para Huang, a grande inovação é o controle generativo que atua diretamente na geometria e nas texturas do jogo, algo que ele define tecnicamente como renderização neural.

A empresa reforçou que o kit de desenvolvimento (SDK) oferece ferramentas específicas para que os artistas limitem o impacto da IA. É possível ajustar a intensidade do efeito, realizar correções de cor e até mascarar áreas onde a tecnologia não deve atuar para preservar detalhes importantes. Dessa forma, a estética única de cada produção permaneceria sob o domínio total dos criadores, servindo como um facilitador e não como um substituto do trabalho humano.

Até o momento, o DLSS 5 não possui uma data de lançamento confirmada para o grande público. O que se sabe é que o recurso será exclusivo para os usuários da nova linha de placas de vídeo GeForce RTX série 50, com previsão de chegada ao mercado ainda para o final deste ano. O sucesso da tecnologia dependerá agora de como a Nvidia conseguirá convencer tanto os desenvolvedores quanto os jogadores de que a IA pode coexistir com a direção de arte original.

Eduardo Reis

Sou entusiasta de Tecnologia, Gamer, Blogueiro e Editor do Portal do Pixel.
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