Por que remakes da Bethesda no estilo Resident Evil são considerados impossíveis por desenvolvedores

Os remakes de Resident Evil 2 e Resident Evil 4, desenvolvidos pela Capcom, elevaram o padrão de qualidade da indústria de forma impressionante. No entanto, para Nate Purkeypile, ex-desenvolvedor da Bethesda, aplicar esse mesmo nível de reconstrução total aos remakes da Bethesda seria uma tarefa praticamente impossível. A escala colossal de títulos como Skyrim ou Fallout apresenta desafios que fogem completamente à estrutura mais contida dos jogos de terror.
A divergência entre sistemas complexos e experiências lineares
O principal argumento de Purkeypile reside na diferença fundamental de design entre as franquias. Enquanto Resident Evil foca em uma experiência linear e altamente controlada, os jogos da Bethesda são conhecidos por seus vastos sistemas de mundo aberto que interagem simultaneamente. Recriar cada uma dessas engrenagens do zero, garantindo que funcionem exatamente como no original, exigiria um esforço técnico e financeiro sem precedentes no desenvolvimento moderno.
Em entrevista ao canal KiwiTalkz, o desenvolvedor explicou que não desejaria para ninguém o trabalho de tentar replicar a inteligência artificial e a física desses RPGs em uma engine nova. A imprevisibilidade de um mundo aberto onde centenas de sistemas colidem torna o processo de remake muito mais arriscado do que em jogos de ação focados em corredores e scripts específicos. Purkeypile reforça que a escala desses projetos tornaria um remake feito totalmente do zero algo financeiramente inviável para qualquer estúdio.
Inovação técnica e o desafio de modernizar o passado
Recentemente, as discussões sobre The Elder Scrolls 4: Oblivion Remastered mostraram um caminho alternativo para modernizar clássicos da empresa. Em vez de uma reconstrução completa, o projeto sugerido utiliza a Unreal Engine 5 para processar a parte visual, enquanto a engine original, Gamebryo, continuaria operando a lógica de jogabilidade por trás das câmeras. Essa solução híbrida permite que o jogo mantenha sua alma original enquanto recebe um tratamento gráfico de última geração.
O título teria sido trabalhado em colaboração com a Virtuos, focando em aproveitar o poder da Unreal Engine 5 para lidar com a fidelidade visual. Embora existam rumores e expectativas de lançamento para plataformas como PC, PlayStation 5 e Xbox Series X/S, a Bethesda ainda mantém cautela sobre datas definitivas, apontando para uma janela geral em 2026. A complexidade de equilibrar duas engines trabalhando em conjunto é um testemunho de quão difícil é atualizar esses RPGs sem quebrar a estrutura que os tornou amados.
O futuro de Fallout 5 e a carga de trabalho de The Elder Scrolls 6
Com o foco total da equipe principal na produção de The Elder Scrolls 6, veteranos como Jonah Lobe e Bruce Nesmith sugerem que a franquia Fallout pode tomar novos rumos. Existe uma especulação crescente de que a Bethesda possa delegar o desenvolvimento de Fallout 5 para um estúdio externo de confiança. Essa estratégia permitiria que a marca continuasse relevante e ativa no mercado sem sobrecarregar internamente os times que já lidam com expectativas astronômicas para o próximo capítulo de Tamriel.
Nesmith destacou que lançar um novo título da franquia Fallout enquanto a série live-action da Amazon estiver em evidência seria um movimento comercial brilhante. Aproveitar o frescor da adaptação televisiva poderia impulsionar as vendas de um novo jogo a níveis históricos para a empresa. Com o estúdio maior do que nunca, a colaboração externa parece ser a saída lógica para atender à demanda de fãs que aguardam por atualizações em múltiplas franquias simultaneamente.
Sou entusiasta de Tecnologia, Gamer, Blogueiro e Editor do Portal do Pixel.