Criador de Kingdom Come defende o DLSS 5 e afirma que a tecnologia é o futuro do desenvolvimento

Kingdom Come: Deliverance Studio Co-Founder Says There is “No Way Haters Will Stop” DLSS 5
Imagem: Divulgação / Reprodução

Desde a revelação das novas capacidades da Nvidia na semana passada, o debate sobre o futuro dos gráficos nos games ganhou um novo fôlego. Daniel Vávra, cofundador da Warhorse Studios — desenvolvedora da aclamada série Kingdom Come: Deliverance —, demonstrou um otimismo contundente sobre o potencial dessa inovação. Ao comentar sobre a demonstração de Starfield utilizando o DLSS 5 durante a GTC 2026, Vávra afirmou que a tecnologia ainda está em seus estágios iniciais, mas que não há como os críticos impedirem seu avanço.

O desenvolvedor vislumbra um cenário onde as equipes de criação poderão treinar essa tecnologia para estilos artísticos específicos ou rostos de personagens detalhados. Segundo ele, o DLSS 5 tem o potencial de substituir métodos extremamente custosos, como o ray tracing tradicional, oferecendo resultados superiores ao que chamou de efeitos simples de suavização de movimento presentes em televisores modernos. Para Vávra, o que vemos agora é apenas o começo de uma transformação profunda na indústria.

O papel da inteligência artificial na produção de jogos

Esta não é a primeira vez que o criador de Kingdom Come se posiciona favoravelmente ao uso de ferramentas baseadas em inteligência artificial. Vávra já havia expressado anteriormente que, embora a IA generativa possa ser assustadora em certos aspectos — especialmente na música, onde a distinção entre humano e máquina se tornou quase impossível —, é necessário encarar a realidade de que essa tecnologia veio para ficar e será parte integrante do fluxo de trabalho.

A grande vantagem, na visão do desenvolvedor, reside na eliminação de tarefas tediosas que consomem meses de produção. Ele exemplificou situações como a necessidade de passar 500 horas em estúdio gravando reações genéricas de NPCs ou diálogos sem importância para a trama principal. Para um profissional de cinquenta anos que leva, em média, sete anos para concluir um projeto, qualquer ferramenta que acelere a realização de ideias complexas é vista como uma aliada indispensável.

Vávra defende que o uso de IA não elimina a necessidade de talentos humanos. Diretores de arte, roteiristas, programadores e designers gráficos continuarão sendo essenciais, mas poderão focar sua energia no que realmente importa: a essência criativa do jogo. A ideia é permitir que equipes menores consigam entregar experiências épicas em prazos mais curtos, resgatando um ritmo de produção que remete aos tempos clássicos do desenvolvimento de software.

Divergências e preocupações técnicas com o DLSS 5

Apesar do entusiasmo de Vávra, o DLSS 5 enfrenta resistência de outros nomes de peso da indústria. Mike York, animador veterano com passagens por God of War Ragnarök e Death Stranding 2: On the Beach, levantou bandeiras vermelhas durante uma análise técnica. Ao observar a demonstração de Resident Evil Requiem, York expressou choque com o que descreveu como uma re-renderização completa via IA, que altera a obra original de maneiras imprevisíveis.

York apontou detalhes específicos onde a inteligência artificial falhou ou tomou liberdades artísticas questionáveis. Ele notou que os olhos dos personagens perdiam o foco correto e que detalhes anatômicos, como rugas nos lábios que não existiam no modelo original, foram adicionados arbitrariamente. Para o animador, o jogador não está mais olhando para o jogo real, mas para uma interpretação algorítmica quadro a quadro, o que ele classifica como uma perspectiva assustadora para a preservação da visão dos artistas.

O lançamento do DLSS 5 está previsto para o final deste ano, acompanhando a nova linha de placas de vídeo da série 50 da Nvidia. Enquanto a tecnologia promete revolucionar a performance e a fidelidade visual, o embate entre a eficiência produtiva defendida por Vávra e a integridade artística preservada por York deve continuar sendo um dos tópicos mais quentes entre desenvolvedores e entusiastas de hardware nos próximos meses.

Eduardo Reis

Sou entusiasta de Tecnologia, Gamer, Blogueiro e Editor do Portal do Pixel.
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