Ubisoft registra perdas de €1,3 bi em FY26 e projeta recuperação apenas em FY28
A Ubisoft anunciou perdas de cerca de €1,3 bilhão no ano fiscal encerrado em 31 de março de 2026. O relatório aponta uma queda de 17,4% nas reservas líquidas, que passaram para €1,53 bilhão, e relaciona parte do déficit às mudanças na estrutura interna e ao cancelamento de projetos. A empresa também projetou perdas adicionais para o ano fiscal de 2027, antes de esperar lucro e fluxo de caixa livre positivo em FY28. Executivos destacaram que os próximos lançamentos e novas formas de engajamento serão fundamentais para a recuperação.
Resultado financeiro e projeções
O prejuízo estimado em €1,3 bilhão foi acompanhado pela menção a um valor aproximado em dólares, cerca de US$1,4 bilhão, que equivale a aproximadamente R$7,42 bilhões considerando R$5,30 por US$. As reservas líquidas da companhia caíram para €1,53 bilhão em comparação ao ano anterior, refletindo a menor receita recorrente e alterações no portfólio. Para o ano fiscal de 2027 a Ubisoft projeta perdas adicionais na ordem de €500 milhões, ou 8–9% a mais no resultado. A expectativa é retornar à lucratividade em FY28 com o suporte de novos lançamentos e iniciativas de monetização.
Reestruturação e Creative Houses
A empresa detalhou um processo de reorganização que reuniu franquias e gêneros em cinco “Creative Houses”, movimento que demandou consolidação de projetos e cortes. Vantage Studios foi apontado como responsável por títulos como Assassin’s Creed, Far Cry e Rainbow Six, enquanto outras unidades ficaram encarregadas de franquias como Ghost Recon. O anúncio de reestruturação veio acompanhado pelo cancelamento de vários jogos, incluindo o remake de Prince of Persia: The Sands of Time, e gerou impacto direto no cronograma de lançamentos.
Conflitos trabalhistas e demissões
As medidas de corte de custos e a sequência de demissões motivaram protestos e críticas de sindicatos, que cobraram transparência e apontaram problemas de governança nas decisões. Representantes locais criticaram a indicação de nomes da família fundadora para posições-chaves e a falta de diversidade na gestão, ampliando o clima de insatisfação entre funcionários. Entre as demissões recentes, times de estúdios como Red Storm Entertainment foram afetados, com impactos em projetos e suporte a títulos existentes. As disputas trabalhistas colocaram pressão adicional sobre a empresa enquanto ela tenta equilibrar redução de custos e entrega de novos jogos.
Lançamentos previstos e impacto nos planos
A Ubisoft afirmou que planeja lançar novos jogos de suas principais franquias — inclusive Assassin’s Creed, Far Cry e Ghost Recon — até o final de março de 2029, com títulos como Assassin’s Creed Codename Hexe entre os programados. Além disso, a companhia prepara o remake Assassin’s Creed Black Flag Resynced, que será lançado para PC, PS5 e Xbox Series X/S no dia 9 de julho. A empresa aposta que esses lançamentos, combinados a novas mecânicas de engajamento e monetização, ajudarão a restaurar margens e gerar fluxo de caixa positivo em FY28. Enquanto isso, ajustes na produção e realocações internas seguem afetando prazos e equipes.
O cenário adiante
A transição para a nova estrutura e os cortes vão continuar a influenciar os resultados de curto prazo, segundo a própria Ubisoft, que já sinalizou mais perdas antes da recuperação prevista. Investidores e funcionários observam de perto a execução dos lançamentos e a capacidade da companhia de converter engajamento em receita sustentável. Eventuais mudanças de cronograma, novas demissões ou anúncios de parcerias podem alterar as projeções atuais.
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