Avaliações no Metacritic: Entenda o Impacto Real nos Jogos Recentes da Nintendo

Nintendo's recent Metascores aren't a big deal - here's why
Imagem: Divulgação / Reprodução

Recentemente, surgiu um debate recorrente sobre a qualidade dos jogos atuais: os videogames estão realmente piorando ou nossa percepção de diversão muda com a idade? Na infância, muitos títulos pareciam extraordinários, desde clássicos como Super Mario Galaxy até experiências mais simples, como Wipeout no Wii. Contudo, as avaliações Metacritic Nintendo para alguns lançamentos mais recentes geraram discussões nas redes sociais, com notas que, à primeira vista, parecem aquém das expectativas de muitos fãs. Games como Kirby Air Riders, Metroid Prime 4, Pokémon Legends: Z-A, Hyrule Warriors: Age of Imprisonment e Mario Tennis Fever receberam pontuações abaixo de 80, o que levantou questionamentos sobre a consistência da Nintendo.

No entanto, é fundamental compreender que as Metascores não são o único medidor de qualidade. Atribuir um valor numérico objetivo a um jogo é um desafio complexo, mesmo para quem avalia muitos títulos profissionalmente. Este artigo vai além dos números, explorando a fundo esses cinco jogos, a relevância das pontuações de análise e como a nossa própria vivência pode influenciar a forma como desfrutamos dos videogames. Serão os lançamentos recentes da Nintendo realmente insuficientes, ou perdemos parte daquela admiração e entusiasmo juvenil? A verdade, provavelmente, está em algum lugar no meio.

Hyrule Warriors: Age of Imprisonment e as Limitações de Gênero

Vamos começar com Hyrule Warriors: Age of Imprisonment, que atualmente ostenta uma pontuação de 79 no Metacritic. A série Hyrule Warriors sempre foi um nicho específico, vendendo bem, mas com uma estrutura que naturalmente impõe um teto para suas avaliações críticas. A mecânica principal de hack and slash contra hordas de inimigos, embora divertida para “desligar o cérebro”, dificilmente permitirá que um título desse gênero atinja a estratosfera de pontuações perfeitas.

Comparando com outros jogos da franquia, como o Hyrule Warriors original (76), a Definitive Edition (78) e Age of Calamity (78), percebe-se uma consistência. Embora Age of Imprisonment tenha um ponto a mais (79) que seu antecessor direto, Age of Calamity, a melhoria é mais significativa do que a pontuação sugere. Em minha experiência, Age of Imprisonment representa um avanço notável, mas sua natureza de jogo Warriors-style impede que ele seja classificado ao lado de títulos com propostas mais ambiciosas e narrativas complexas.

Melhorias de Performance e Narrativa

Uma das maiores evoluções de Age of Imprisonment em relação a Age of Calamity é sua performance. O jogo busca manter 60 quadros por segundo, inclusive no modo portátil, e geralmente consegue sustentar essa meta, com quedas mínimas que não comprometem a experiência. Isso contrasta drasticamente com Age of Calamity, que frequentemente sofria com quedas para taxas de quadros de um dígito, especialmente em momentos de ação intensa ou no multiplayer em tela dividida, tornando a experiência de revisitar o jogo anterior um verdadeiro desafio.

Além da performance, Age of Imprisonment oferece uma narrativa canônica direta para os eventos que precederam The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom, abandonando a linha do tempo alternativa e as viagens no tempo de Age of Calamity. Embora o elenco de personagens de Age of Calamity fosse mais extenso devido a essas liberdades narrativas, o sacrifício em Age of Imprisonment para manter a fidelidade à história principal foi, na minha opinião, um acerto. A escolha por uma história mais coesa e a performance aprimorada são pontos fortes que as avaliações nem sempre conseguem capturar em sua totalidade, fazendo com que a avaliação Metacritic Nintendo para este título possa ser subestimada.

Kirby Air Riders: Um Exemplo de Conteúdo Completo

Como Kirby Air Riders recebeu apenas 79? Com mais de 150 horas de jogo, considero-o um dos meus favoritos exclusivos do Nintendo Switch 2. É intrigante notar que sua pontuação de usuário no Metacritic é de 8.7, significativamente mais alta que a dos críticos. Embora as avaliações de usuários possam ser suscetíveis a manipulações, a discrepância aqui sugere que muitos jogadores encontraram um “clique” com o jogo que talvez alguns críticos não tenham percebido.

Um dos maiores atrativos de Kirby Air Riders é a sensação de estar completo desde o lançamento. Diferente de muitos jogos de corrida atuais que chegam ao mercado com a expectativa de DLCs repletos de conteúdo adicional, aqui tudo está no cartucho desde o primeiro dia. Com modos principais como Air Ride, Top Ride e o aclamado City Trial, os jogadores têm uma vasta gama de opções, permitindo que cada um encontre o estilo de corrida que mais lhe agrada, sem a ansiedade por futuras expansões.

O modo City Trial é particularmente divertido, enriquecido por mais de 50 eventos Stadium que ocorrem ao final de cada rodada, mantendo o gameplay fresco e dinâmico, mesmo que sempre se passe no mesmo mapa. Embora mais mapas pudessem ser um acréscimo bem-vindo, a profundidade existente já é notável. Os controles são intuitivos e acessíveis para todos, mas há uma curva de aprendizado para quem busca dominar as nuances e se destacar online. A progressão de habilidades é orgânica e recompensadora, seja experimentando diferentes personagens e máquinas, ou aprimorando-se no modo história, Road Trip. O multiplayer é envolvente, e o elenco de personagens é robusto, mesmo com a ausência de Elfilin. É até possível treinar corredores amiibo, se você tiver uns $50 [aprox. R$ 265] sobrando para investir nesses itens colecionáveis.

Apesar de sua avaliação Metacritic Nintendo de 79, acredito que Kirby Air Riders é um jogo muito superior ao que esse número indica. Sua ação frenética pode ser intensa para alguns, mas para quem se entrega à diversão, as mais de 150 horas de jogo se provam um testemunho da sua qualidade. É um título que, sem dúvida, revelará todo o seu valor ao longo do tempo, sendo perfeito para sessões rápidas e divertidas online. Portanto, Kirby Air Riders não se encaixa na narrativa de uma suposta queda de qualidade da Nintendo, mas sim como um exemplo de excelência subvalorizada pelas métricas tradicionais.

Pokémon Legends: Z-A e a Espera por um Salto

Com Pokémon Legends: Z-A, a perspectiva muda um pouco. Tendo dedicado mais de 120 horas ao jogo, a experiência é, no mínimo, peculiar. Eu daria ao jogo base uma nota 7/10, mas, de forma incomum, essa pontuação cairia para 6/10 com o DLC incluso. É raro que a adição de conteúdo diminua a percepção geral de um jogo, mas infelizmente é o caso aqui.

Frequentemente, ouve-se que novos jogos Pokémon representam “um passo na direção certa”. E, mecanicamente, Pokémon Legends: Z-A cumpre essa promessa. No entanto, a questão é: quando esperaremos um “salto” em vez de apenas um “passo”? O maior calcanhar de Aquiles de Pokémon Legends: Z-A não é uma falha compartilhada com títulos anteriores da franquia, mas algo intrínseco a ele: a insistência em manter o jogador confinado à Cidade de Lumiose. Exceto por uma pequena área no final do DLC (onde não é possível capturar Pokémon), toda a experiência se desenrola dentro dos limites de Lumiose, resultando em uma lamentável falta de variedade visual. Se o DLC tivesse adicionado novas rotas e áreas para a captura de Pokémon fora da cidade, minha opinião sobre o jogo seria bem mais positiva.

Para mim, fica evidente que o DLC foi concebido de uma forma que visava economizar custos e poupar os desenvolvedores da criação de áreas únicas. É uma pena, pois, apesar de alguns detalhes a serem lapidados, a direção de arte do jogo é promissora, e adoraria ver como florestas exuberantes, rios e cavernas seriam representados nesse estilo. A cidade oferece uma pequena variação com seus esgotos, mas não é o suficiente para quebrar a monotonia visual. Outro ponto fraco notável é a ausência de dublagem, o que se torna ainda mais gritante porque as cutscenes são projetadas como se houvesse falas, mas elas não existem. Isso faz com que muitos dos momentos mais dramáticos do jogo percam o impacto, permanecendo em silêncio, exceto pela trilha sonora. Sem mencionar o peso do grind no DLC, que consideravelmente arrasta a experiência geral para baixo.

Ainda assim, Pokémon Legends: Z-A não é desprovido de qualidades. O sistema de batalha é envolvente, as novas Mega Evoluções são bem-vindas, a escrita é surpreendentemente engraçada e a música é cativante. Contudo, este certamente não figura entre os lançamentos de mais alta qualidade da Nintendo. No entanto, é Pokémon. A franquia tem operado neste patamar há alguns anos, para ser franco, embora haja esperança de que Pokémon Winds and Waves mude essa trajetória. Assim, a avaliação Metacritic Nintendo de 78 para este título pode parecer mais um indício de jogos “inacabados” do Nintendo Switch 2, mas está bastante alinhada com o histórico recente da série.

A prova disso está nas pontuações de jogos anteriores: Pokémon Legends: Arceus (83, merecido), Pokémon Sword and Shield (80), Pokémon Scarlet and Violet (72), Pokémon Let’s Go: Pikachu and Eevee (79), Pokémon Brilliant Diamond and Shining Pearl (73, talvez um pouco alto), e Pokémon Black 2 and White 2 (80). Em última análise, talvez as Metascores realmente não sejam a medida definitiva de valor.

Metroid Prime 4: Beyond – Um Caso de Expectativas Elevadas

Em seguida, temos Metroid Prime 4: Beyond, outro caso peculiar. Seu desenvolvimento se estendeu por um período consideravelmente longo, o que inflou as expectativas a níveis estratosféricos. Apesar de não ser um fã de jogos com câmera em primeira pessoa, adorei Metroid Prime Remastered. Contudo, mesmo com a alta qualidade técnica de Metroid Prime 4, ele não conseguiu me cativar da mesma forma.

Assim como muitos jogadores, perdi o interesse ao chegar a Sol Valley e não retornei ao jogo desde então. Isso não significa que Metroid Prime 4 seja ruim; ele não é horrível, apenas um pouco mal direcionado. A apresentação visual é absolutamente deslumbrante, e a jogabilidade principal (fora de Sol Valley) é sólida. Contudo, há tantas decisões de design bizarras que acabam comprometendo a experiência. A verdadeira razão pela qual abandonei o jogo foi ter recebido spoilers sobre o final, e, sem entrar em detalhes, não fiquei particularmente satisfeito com ele. Essa situação me lembra um pouco Bayonetta 3, outro jogo visualmente impressionante e com muitos pontos positivos, mas que acabou afastando sua base de fãs com personagens pouco carismáticos e um final que desagradou a quase todos.

Metroid Prime 4: Beyond evoca uma sensação muito específica, quase como um projeto que se arrasta. Ao iniciar um trabalho, minhas melhores ideias e execuções geralmente ocorrem na primeira metade. Se tudo correr bem, o projeto é concluído dentro do prazo ideal. Mas, às vezes, as coisas desandam, o projeto se estende, e a energia se esvai. No final, tudo o que se deseja é terminar logo para poder recarregar e fazer algo melhor na próxima vez. Metroid Prime 4: Beyond, como um todo, parece a tradução dessa sensação para o universo dos videogames. Embora a equipe gráfica tenha feito um trabalho excelente, a inclusão de Sol Valley, o foco excessivo em personagens NPC (o que não é um problema inerente, mas é atípico para Metroid) e a direção excessivamente linear do jogo não corresponderam às expectativas dos fãs da série.

Dito isso, em um vácuo, Metroid Prime 4: Beyond ainda é um bom jogo. Como já mencionado, a comparação é o ladrão da alegria, mas é quase impossível discutir videogames sem alguma forma de comparação. É lamentável o desfecho: o jogo foi promovido por anos, mas acabou não alcançando o hype, e agora mal é lembrado nas conversas. Metroid Prime Remastered, apesar de ser um remake de um título mais antigo, continua sendo um exemplo brilhante de como fazer um Metroid 3D funcionar. Qual será o próximo passo da Retro Studios? Ninguém sabe, mas esperamos que eles levem o feedback em consideração se decidirem criar outro título da série Metroid Prime, buscando uma avaliação Metacritic Nintendo mais alinhada com o potencial da franquia.

Mario Tennis Fever: Uma Nova Era para os Esportes da Nintendo

Finalmente, temos Mario Tennis Fever, que, em muitos aspectos, marca o início de uma nova fase para os jogos esportivos da Nintendo. Desta vez, há conteúdo suficiente no jogo base, sem a necessidade de esperar por atualizações, uma melhoria colossal em comparação com Mario Tennis Aces, que foi lançado com uma quantidade mínima de modos e personagens. O elenco inicial de Aces sentiu a falta de figuras clássicas como Koopa Troopa, Diddy Kong, Birdo, Pauline, Shy Guy e Petey Piranha, que foram adicionados via atualizações gratuitas ao longo de aproximadamente um ano e meio.

Mario Tennis Fever também inclui um modo “100 Desafios” (somewhat-hidden 100 Trials) para um jogador, que apresenta 100 desafios únicos para conquistar 3 estrelas e alcançar a conclusão total. Junte isso ao modo aventura, torneios, ataques de pontuação e modos Mix It Up, e você tem um jogo Mario Tennis que se posiciona como um dos melhores dos últimos anos. No entanto, o preço de $70 USD [aprox. R$ 371] ainda é considerado elevado por muitos.

Analisando as Metascores de jogos Mario Tennis anteriores: Fever está com 77, Aces com 75, Open no 3DS com 69, Ultra Smash no Wii U com 58 (uma pontuação que, na minha opinião, deveria ser ainda menor), Power Tour no GBA com 81, Power Tennis no GameCube com 80 e o Mario Tennis original no Nintendo 64 com impressionantes 91. Embora eu adore o Mario Tennis do Nintendo 64, questiono se ele obteria um 91 se fosse lançado hoje (com gráficos atualizados, claro). Independentemente disso, mesmo apenas pelas Metascores, é evidente que Mario Tennis Fever representa uma melhoria em relação a Mario Tennis Aces, Mario Tennis Open e Mario Tennis: Ultra Smash – embora ser melhor que Ultra Smash não seja exatamente um feito digno de nota.

A questão que permanece é: será que hoje em dia um jogo de tênis pode ser aclamado pela crítica, ou ele sempre será um pouco desvalorizado por seu status de típico spin-off do Mario? A avaliação Metacritic Nintendo para esses jogos esportivos parece refletir essa percepção, limitando o reconhecimento crítico apesar das melhorias substanciais.

Em suma, na maioria dos casos, as pontuações recentes da Nintendo no Metacritic, abaixo de 80, não são motivo de grande preocupação. Sejamos honestos, Age of Imprisonment e Mario Tennis Fever nunca foram projetados para serem títulos de grande sucesso com notas acima de 90, apesar de seus preços. A pontuação abaixo de 80 de Pokémon Legends: Z-A é algo esperado para a franquia nos dias atuais, embora Metroid Prime 4 tenha sido, de fato, uma decepção para muitos fãs. Contudo, sinto que Kirby Air Riders definitivamente merecia uma nota superior a 79, destacando-se como um dos jogos mais subestimados deste grupo.

Eduardo Reis

Sou entusiasta de Tecnologia, Gamer, Blogueiro e Editor do Portal do Pixel.
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