Ex-executivo afirma que Bethesda perdeu autenticidade após compra pela Microsoft
O ex-executivo da Bethesda, Pete Hines, declarou que, após a aquisição pela Microsoft, o estúdio deixou de fazer parte de algo “genuíno” ou “autêntico”. Em entrevista ao Firezide Chat, Hines revelou que chegou a cogitar deixar a empresa porque se sentia impotente para executar o que julgava necessário para gerir o estúdio corretamente. Segundo ele, havia um conflito entre a cultura que ajudou a construir e as decisões tomadas após a compra. Essa sensação de perda de controle foi decisiva para sua saída.
Críticas à gestão e à cultura interna
Hines descreveu o período como o pior de sua carreira, justamente por chegar a um lugar que admirava e descobrir um funcionamento muito distinto do esperado. Ele falou sobre a frustração de não conseguir proteger a equipe e manter os padrões que considerava essenciais para um estúdio eficiente. Em suas palavras, o objetivo sempre foi “fazer o que dizíamos e dizer o que fazíamos”, uma postura que, segundo ele, deixou de prevalecer. Ao ver o estúdio ser prejudicado e maltratado, Hines decidiu não permanecer apenas como espectador.
Exclusividade versus multiplataforma
Um dos pontos abordados foram as diferenças de tratamento entre franquias após aquisições no setor. Hines mencionou reclamações internas sobre Call of Duty permanecer multiplataforma após a compra da Activision Blizzard, enquanto títulos da Bethesda, como Starfield, acabaram atrelados a exclusividades de console. Ele destacou que essa discrepância gerou desconforto entre funcionários e afetou a percepção do que era considerado justo. Desde então, a Microsoft vem adotando uma postura mais flexível em relação a exclusividades, optando por lançar mais jogos em múltiplas plataformas.
Saída, aposentadoria e próximos passos
Hines confirmou que deixaria a empresa e anunciou a aposentadoria, dizendo que pretende explorar interesses pessoais, doar seu tempo quando possível e aproveitar a vida com mais calma. Ele também comentou episódios polêmicos do passado, como a controvérsia das sacolas de lona no lançamento de Fallout 76, relembrando momentos em que o estúdio teve que lidar com críticas públicas. Apesar das críticas à gestão recente, Hines manteve que muitos da Bethesda sempre tiveram boas intenções e se esforçaram pela qualidade do trabalho. Agora, ele busca um novo capítulo longe da rotina corporativa que o desgastou.
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