Josef Fares e o Futuro dos Games: Por Que AAA e AA Precisam Coexistir

Split Fiction Creative Director Hopes Publishers Don’t Abandon AAA Games to Chase AA Trend

O renomado diretor criativo Josef Fares, à frente da Hazelight Studios e conhecido por títulos cooperativos inovadores como o recente Split Fiction, manifestou preocupação com a direção que o mercado de games AAA e AA está tomando. Em entrevista exclusiva à The Game Business, Fares refletiu sobre a ascensão notável de jogos AA, citando o sucesso de Clair Obscur: Expedition 33, e como esse fenômeno pode impactar a diversidade da indústria de jogos eletrônicos.

Ele reconhece a qualidade intrínseca dessas produções de médio orçamento, mas alerta para o perigo de uma migração excessiva dos grandes publishers. Para Fares, a saúde do setor depende de um equilíbrio onde todos os tipos de experiências de jogo encontrem seu espaço, desde as superproduções até as propostas mais autorais e focadas.

A Preocupação de Josef Fares com o Equilíbrio da Indústria

Fares expressou abertamente seu receio de que, com o burburinho em torno do sucesso de títulos AA, as editoras possam desconsiderar o valor dos jogos AAA. Ele enfatizou que, embora jogos AA sejam excelentes e importantes para a diversidade, não é possível criar uma experiência do calibre de um novo Grand Theft Auto com um orçamento de apenas $10 milhões [aprox. R$ 53 milhões]. A indústria, segundo ele, prospera na variedade, necessitando tanto de blockbusters quanto de projetos mais modestos.

Apesar da evidente qualidade e do desempenho comercial de jogos como Clair Obscur: Expedition 33, Fares adverte contra a ideia de que o AA é a “nova onda” que deve dominar o cenário. Ele lembra que, para cada história de sucesso, há uma infinidade de títulos AA que não alcançaram o mesmo reconhecimento. A chave é evitar generalizações e garantir que o panorama dos games continue a oferecer opções para todos os gostos e bolsos, mantendo um leque de projetos que reflitam a rica tapeçaria do desenvolvimento de jogos.

Inovação em Jogos de Alto Orçamento: Desafios e Possibilidades

Quando o assunto se voltou para a relação entre risco e recompensa no desenvolvimento, especialmente no contexto de grandes orçamentos, Josef Fares pontuou que jogos AAA também podem e devem ser veículos de inovação. Christopher Dring havia levantado a questão de como orçamentos massivos podem inibir a tomada de riscos, mas Fares trouxe à tona exemplos de estúdios que provam o contrário.

Ele citou a Naughty Dog, Rockstar e a Nintendo como exemplos de empresas que, com seus vultosos orçamentos, conseguem ultrapassar os limites criativos de maneiras distintas. Fares argumenta que, embora os riscos aumentem exponencialmente quando o investimento ultrapassa os $100 milhões [aprox. R$ 530 milhões], o que compreensivelmente gera maior cautela, a capacidade de inovar e entregar algo realmente novo ainda é uma realidade para os grandes estúdios que ousam pensar fora da caixa.

A Filosofia de Risco da Hazelight Studios

A Hazelight Studios, sob a liderança de Fares, é conhecida por sua abordagem experimental e pela disposição de correr riscos criativos. Ele descreveu a ética do estúdio como uma mentalidade de “bagunçar tudo” (no sentido de desafiar convenções) sem realmente comprometer o projeto, sempre com um olhar atento às responsabilidades para com sua equipe.

Essa abordagem permite que a Hazelight explore novas ideias e mecânicas, empurrando as fronteiras do que é possível em jogos cooperativos. Para Fares, a limitação imposta pelo medo de riscos financeiros é prejudicial à criatividade e à qualidade final do jogo, independentemente do orçamento. O compromisso do estúdio é levar a experiência a outro patamar, fomentando um ambiente onde a exploração criativa é prioridade, mas sempre com a disciplina de entregar um produto de excelência.

Apesar do espírito aventureiro, Josef Fares é pragmático sobre as obrigações. A responsabilidade de garantir que a equipe seja paga, de cumprir os marcos de desenvolvimento e de entregar um jogo de alta qualidade aos publishers e, principalmente, aos jogadores, é um pilar fundamental da Hazelight. É um equilíbrio delicado entre a ousadia artística e a gestão eficiente, provando que é possível inovar mantendo os pés no chão.

Split Fiction está disponível para PC, PS5, Xbox Series X/S e Nintendo Switch.

Eduardo Reis

Sou entusiasta de Tecnologia, Gamer, Blogueiro e Editor do Portal do Pixel.
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