Um Bom Jogo, Mas Não um Clássico: Ex-Designer de Starfield Critica a Monotonia Espacial e Geração Procedural

Apesar de ser uma das grandes apostas da Bethesda, não alcançou o patamar de seus antecessores icônicos, como Fallout e The Elder Scrolls. Essa é a análise de Bruce Nesmith, ex-designer de sistemas do jogo, que aponta a natureza intrinsecamente monótona do espaço e a dependência da geração procedural como falhas cruciais que impactaram sua recepção.


Starfield e as Altas Expectativas da Bethesda 

Lançado como a primeira série inédita da Bethesda em mais de 25 anos, após o sucesso estrondoso de franquias como Fallout e The Elder Scrolls, Starfield chegou ao mercado com uma carga de expectativas enorme. Contudo, sua recepção, tanto da crítica quanto do público, ficou aquém do esperado para um estúdio tão aclamado.
Bruce Nesmith, que trabalhou ativamente no desenvolvimento de Starfield , defende que “é um bom jogo”. No entanto, ele admite que “não está no mesmo nível dos outros dois, você sabe, Fallout ou Skyrim, ou melhor, Elder Scrolls”. Apesar da ressalva, Nesmith expressa orgulho pelo trabalho que ele e sua equipe realizaram, acreditando que fizeram um “ótimo jogo”. Ele sugere que Starfield teria sido recebido de forma diferente caso tivesse sido lançado por outra empresa, sem a mesma pressão e o legado robusto da Bethesda.

Geração Procedural e a Monotonia Espacial: Os Calcananhares de Aquiles

O maior problema de Starfield , na visão de Nesmith, reside na intensa utilização da geração procedural, técnica empregada para criar a vasta quantidade de planetas exploráveis. Essa abordagem, segundo ele, acaba por tornar os ambientes repetitivos e desprovidos de emoção, diluindo a sensação de descoberta que deveria ser central em um jogo de exploração espacial.

A Essência Vazia do Espaço

Como um entusiasta do espaço e astrônomo amador, que inclusive contribuiu com dados astronômicos para o jogo, Nesmith pondera que “o espaço é inerentemente entediante. É literalmente descrito como o nada. Portanto, mover-se por ele não é onde reside a emoção, na minha opinião”. A vastidão e a ausência de elementos significativos fazem com que a exploração espacial se torne maçante, e essa sensação se intensifica quando os planetas também começam a parecer “muito parecidos”, diluindo qualquer vestígio de empolgação. Essa uniformidade tira a surpresa e a recompensa da exploração, aspectos cruciais para a imersão.

Inimigos Repetitivos e Pouca Variedade

Outra decepção para o designer foi a escassez de variedade nos adversários. “Eu também fiquei desapontado quando, praticamente, o único inimigo sério que você combatia eram pessoas”, lamenta Nesmith. Embora o jogo apresente diversas criaturas alienígenas, ele as compara aos lobos de Skyrim: “elas estão lá, mas não contribuem, você não tem a variedade de oponentes sérios que geram histórias”. Essa falta de diversidade de combate afeta diretamente a profundidade da narrativa e a imersão do jogador, pois o desafio e a interação com o mundo se tornam previsíveis.
O Legado de Skyrim e o Futuro de Starfield

Em contraste com as críticas a Starfield , Nesmith expressa surpresa com a duradoura popularidade de Skyrim, jogo do qual foi o designer principal. Ele acredita que Skyrim “fez o mundo aberto de uma maneira que ninguém jamais havia feito antes e muito poucas pessoas tentaram fazer desde então”. O segredo do sucesso, segundo ele, foi a aceitação da “peculiaridade” inerente a um mundo tão vasto, transformando eventuais “coisas estranhas” em parte do charme que lapida um “diamante” de jogo. Essa flexibilidade permitiu uma experiência mais orgânica e memorável, algo que, para ele, Starfield não conseguiu replicar.
Enquanto a Bethesda tenta impulsionar Starfield , lançado para Xbox Series X/S e PC, os fãs especulam sobre um futuro promissor. No mês passado, a desenvolvedora celebrou o segundo aniversário do jogo com uma mensagem secreta nas redes sociais, sugerindo a chegada de novas expansões e conteúdos. Além disso, a Bethesda já anunciou uma aguardada atualização que promete um modo “cruise” reformulado para viagens espaciais, um recurso há muito desejado pelos jogadores e confirmado por vazamentos de dados, visando melhorar a fluidez da exploração. A expectativa de um eventual lançamento de Starfield no PS5 também reacende a esperança de dar ao jogo uma “nova vida”, expandindo seu alcance para uma base de jogadores ainda maior e, quem sabe, redefinindo sua percepção no mercado.

Fonte: https://frvr.com/blog/starfield-designer-says-sci-fi-rpg-still-a-great-game-but-procedural-generation-stopped-fallout-elder-scrolls/

Eduardo Reis

Sou entusiasta de Tecnologia, Gamer, Blogueiro e Editor do Portal do Pixel.
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