CEO de estúdio de Lords of the Fallen 2 prevê fim das mídias físicas já em 2027

Lords of the Fallen 2 Studio CEO Says More Games May Go Fully Digital by 2027 or Sooner
Imagem: Divulgação / Reprodução

O CEO da CI Games, Marek Tyminski, afirmou que a transição para jogos totalmente digitais pode ocorrer já em 2027. Ele relacionou a decisão de grandes lançamentos sem disco e o anúncio do fim da produção de mídias físicas por fabricantes como fatores que aceleram esse movimento. Para Tyminski, o formato físico tem se tornado cada vez mais difícil de justificar diante dos custos e das margens reduzidas. A declaração reacendeu o debate sobre o futuro das cópias físicas e seu impacto sobre estúdios menores.

Tyminski destacou que a ausência de disco em lançamentos de grande porte transmite uma sensação de injustiça para estúdios que ainda apostam no físico e que a definição de datas para o fim do suporte pode reduzir lançamentos em disco já em 2027 ou antes. Ele argumenta que o físico entrega menos receita por unidade, impõe prazos maiores de produção e adiciona despesas que corroem a rentabilidade. Muitos estúdios, segundo ele, já enfrentam margens apertadas e o formato físico tende a agravar esse cenário.

A CI Games confirmou que pretende lançar Lords of the Fallen 2 em mídia física, mas reconheceu que esse meio representa menos de 20% das vendas em geral, com a maior parte das receitas vindo do digital. Essa mudança no comportamento do consumidor dificulta justificar investimentos em fabricação, distribuição e logística de estoque. Para estúdios independentes a equação pode ser ainda mais desfavorável, já que eles têm menos força para negociar margens melhores com varejo e distribuidores. A discussão coloca em xeque modelos tradicionais de lançamento e preservação de jogos.

Tyminski apresentou números para ilustrar a diferença entre físico e digital. Um preço de varejo de US$69,99 (aprox. R$ 370,95) sofre com margem de varejo de 25–35%, distribuidores levando 10–20% e custo de produção física em torno de US$10 (R$ 53,00). Com esses descontos, sobrariam pouco mais de US$26 por unidade para o estúdio (cerca de R$ 137,80) — enquanto a venda digital pode render até US$49 no melhor cenário (aprox. R$ 259,70). Segundo ele, essa discrepância só aumenta conforme os preços caem, favorecendo editoras maiores que já lucram mais no digital.

Reações na indústria

Ex-executivos do setor reagiram com cautela à previsão, lembrando que decisões desse tipo envolvem fatores comerciais e logísticos complexos. Shawn Layden, que deixou a liderança da área anos atrás, disse não ter participado das discussões internas e que não concorda plenamente com a medida, mas reconheceu o peso das questões de custo. Para ele, a mudança pode ser motivada por despesas crescentes na produção de mídia física e por uma reorganização das prioridades das plataformas. A visão reflete tensões entre interesses de grandes editoras e estúdios que ainda dependem do físico.

O diretor criativo Hideo Kojima também manifestou preocupação, alertando que a total digitalização pode acelerar a perda de acesso a obras culturais em situações emergenciais. Kojima teme que, se os dados estiverem cada vez mais sob controle de plataformas ou governos, o acesso a filmes, livros e músicas possa ser cortado de forma abrupta. Essa perspectiva traz à tona debates sobre preservação cultural, propriedade digital e como garantir arquivamento de longo prazo. A discussão ultrapassa o aspecto econômico e atinge questões de patrimônio e acesso público.

Impactos para estúdios e consumidores

Do ponto de vista financeiro, o favorecimento do digital melhora o retorno por unidade para desenvolvedores e editoras, beneficiando principalmente grandes players que controlam suas próprias plataformas de venda. Para estúdios menores, a eliminação do físico pode reduzir canais de divulgação e limitar opções para colecionadores e mercados secundários. Consumidores perdem alternativas tangíveis e possíveis garantias de preservação offline, o que preocupa quem valoriza posse física ou tem acesso digital limitado. Além disso, há incertezas sobre como mercados e varejistas vão se adaptar a uma queda abrupta na demanda por discos.

O que esperar até 2028

É provável que a transição seja gradual, com decisões pontuais para títulos de grande orçamento acelerando a tendência enquanto exceções ainda podem ocorrer para saídas físicas previstas antes de prazos finais. Rumores indicam que plataformas podem permitir exceções para jogos lançados antes de janeiro de 2028, mas nada foi confirmado oficialmente. No curto prazo, estúdios e distribuidoras devem reavaliar custos de produção, estoques e contratos com varejo. Para o consumidor, o cenário aponta para maior oferta digital, mas também para a necessidade de discutir padrões de preservação e acesso a longo prazo.

Eduardo Reis

Sou entusiasta de Tecnologia, Gamer, Blogueiro e Editor do Portal do Pixel.
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