Ender Magnolia: Bloom in the Mist – Beleza e Melancolia em um Metroidvania de Impacto

Os estúdios Adglobe e Live Wire entregaram mais um título deslumbrante que reforça sua posição como mestres do estilo Metroidvania. Após o sucesso de Ender Lilies, que conquistou os fãs em 2021 com sua estética sombria e jogabilidade precisa, o lançamento de Ender Magnolia: Bloom in the Mist veio cercado de expectativas. Será que o novo jogo conseguiu capturar a magia do original? A resposta é um enfático “sim”. Embora siga os moldes de seu antecessor, Ender Magnolia se aprofunda em uma narrativa emocionante, mecânicas refinadas e um mundo que mistura o belo e o desolador com maestria.

Uma narrativa densa e envolvente

Assim como em Ender Lilies, a história de Ender Magnolia começa com uma protagonista desmemoriada. Desta vez, conhecemos Lilac, que desperta em um laboratório sem qualquer recordação de quem é. Sua jornada começa ao lado da misteriosa homúncula Nola, com quem explora a enigmática Terra das Fumaças para desvendar o passado de ambas. O cenário é devastador: uma terra corrompida por gases tóxicos que deformaram os Homúnculos, seres criados em experimentos científicos.

Imagem: Divulgação

Lilac não é uma guerreira convencional. Em vez de lutar diretamente, ela utiliza habilidades especiais para purificar os Homúnculos corrompidos e controlá-los como aliados. A dinâmica entre Lilac e os Homúnculos é um dos pontos altos do jogo, tanto na narrativa quanto no combate. Cada novo aliado, como Lito com seu braço elemental, ou Yolvan, que combina habilidades de combate e tiros, traz novas camadas de gameplay e aprofundamento emocional à história.

A trama aborda temas como ganância, discriminação e a arrogância humana em manipular a vida. À medida que você coleta anotações e memórias dos personagens, os mistérios da Terra das Fumaças começam a se conectar, envolvendo famílias como as Casas Frost e Milius. Apesar de alguns personagens coadjuvantes merecerem mais profundidade, o ritmo da história é impecável, com diálogos bem dosados e momentos emocionantes que mantêm o jogador engajado.

Uma jogabilidade que refina o clássico

No quesito gameplay, Ender Magnolia evolui de forma significativa em relação ao seu antecessor. Embora o número de Homúnculos seja menor, cada um deles possui habilidades únicas que podem ser desbloqueadas e aprimoradas. Por exemplo, Nola é ágil com sua espada e também pode usar uma foice para ataques em área ou um machado para golpes mais pesados. Já Yolvan alterna entre tiros precisos e habilidades mais devastadoras, como um turbilhão perfurante que ignora defesas inimigas. Esses poderes podem ser melhorados com materiais encontrados durante a exploração, permitindo upgrades que diversificam ainda mais o combate.

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Uma das mudanças mais notáveis está no sistema de cooldowns para habilidades. Ao contrário de Ender Lilies, onde era necessário racionar o uso de certos poderes, agora é possível usá-los com mais frequência, o que traz um dinamismo maior às lutas e à exploração. Além disso, as Attuner Arts – habilidades especiais equivalentes a “ultimates” – adicionam um toque estratégico, já que exigem o acúmulo de energia para serem ativadas.

O jogo também apresenta novos itens de equipamento, como pulseiras que aumentam atributos, carapaças que desbloqueiam habilidades adicionais e totens que oferecem vantagens passivas. Isso se combina ao tradicional sistema de Relíquias, garantindo várias possibilidades de personalização e incentivando os jogadores a experimentarem diferentes estratégias.

Exploração que encanta e desafia

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Se você é fã de jogos estilo Metroidvania, encontrará em Ender Magnolia tudo o que espera: cenários interconectados, cheios de passagens secretas, plataformas desafiadoras e habilidades desbloqueáveis que permitem acessar novas áreas. Elementos como pulos duplos, dashes aéreos, escaladas e até um gancho para se balançar enriquecem a experiência de exploração. Cada ambiente apresenta uma identidade visual única, desde o sombrio Subterrâneo até a vibrante Floresta Carmesim. No entanto, algumas áreas, como a própria floresta, podem ser confusas sem o auxílio do mapa.

Os controles são responsivos, e a progressão é fluida, o que torna a exploração um prazer. Apesar disso, a repetição em algumas áreas secretas – onde normalmente se encontra apenas materiais ou Relíquias – pode decepcionar um pouco os jogadores que esperam descobertas mais diversificadas. Ainda assim, a curiosidade de ver o que vem pela frente é um motor constante durante toda a campanha.

Chefes desafiadores e ajustáveis

As batalhas contra chefes, embora não sejam tão intrincadas quanto em outros jogos do gênero, são desafiadoras e bem projetadas. Eles possuem padrões claros que podem ser aprendidos, mas um erro pode ser fatal. Felizmente, o jogo oferece opções de dificuldade ajustáveis, permitindo que os jogadores personalizem aspectos como o dano dos inimigos e o tempo que eles ficam atordoados, tornando a experiência acessível para diferentes perfis de jogadores.

Um mundo de “beleza arruinada”

Visualmente, Ender Magnolia é um espetáculo. O jogo adota uma estética steampunk com um toque de melancolia, misturando cenários industriais cobertos por fumaça a áreas mais fantasiosas. A arquitetura remete a uma Londres vitoriana, e a mistura de elementos 2D e 3D é impressionante, criando paisagens deslumbrantes que convidam o jogador a admirar cada detalhe.

E, claro, não podemos deixar de destacar a trilha sonora, composta pelo incrível grupo Mili, que retorna para elevar ainda mais a experiência. Desde as notas sombrias do Subterrâneo até os vocais etéreos da Cidade Velha, cada faixa combina perfeitamente com o tom do jogo. Mesmo as músicas de combate, como a do Shackled Beast, conseguem transmitir intensidade e emoção com suas teclas de piano frenéticas e riffs de guitarra. A atenção aos detalhes, como versões diferentes das músicas em áreas de descanso, demonstra o cuidado que a equipe teve em criar uma atmosfera imersiva.

Um Metroidvania que brilha na escuridão

Ender Magnolia: Bloom in the Mist é mais do que um jogo – é uma obra de arte que combina narrativa, jogabilidade e estética de forma quase impecável. Embora siga a fórmula estabelecida por seu antecessor, ele refina e expande a experiência, entregando algo maior e mais impactante. Para os fãs de Ender Lilies, é uma compra obrigatória. Já para aqueles que ainda não exploraram o mundo da série, a recomendação é começar pelo original, não apenas para entender as referências, mas para apreciar a evolução.

Seja você um veterano de Metroidvanias ou alguém em busca de um jogo que equilibre desafio e imersão, Ender Magnolia é uma escolha certeira. Entre combates eletrizantes, um mundo fascinante e uma trilha sonora inesquecível, é um título que merece um lugar de destaque na sua biblioteca.

Eduardo Reis

Sou entusiasta de Tecnologia, Gamer, Blogueiro e Editor do Portal do Pixel.
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