Por Que a Nintendo Cria as Histórias de Zelda Após Definir a Jogabilidade
Quando se trata de jogos da Nintendo, os fãs sabem que a empresa prioriza a jogabilidade sobre a história – e essa abordagem também se aplica à série The Legend of Zelda. Embora Zelda seja uma franquia com uma trama mais elaborada do que outras séries da Nintendo, como Super Mario, a história geralmente vem em segundo plano em relação aos elementos de jogabilidade.
O Processo Criativo de Zelda: Jogabilidade Primeiro, História Depois
Em uma entrevista ao The Washington Post, o produtor da série Zelda, Eiji Aonuma, explicou a abordagem que a Nintendo adota na criação das histórias para os jogos da franquia. Segundo Aonuma, a trama de um jogo só é desenvolvida depois que a jogabilidade está completamente definida. Esse foi o caso em jogos como Zelda: Echoes of Wisdom – onde o foco inicial foi em estabelecer a mecânica do jogo, com a história sendo adicionada posteriormente para dar suporte à experiência.

Aonuma compartilhou um pouco mais sobre essa filosofia de design:
“Eu nunca fiz um jogo em que se pensa na história primeiro e depois na jogabilidade. Primeiro, você pensa na jogabilidade, e então passa a pensar em como fazer os jogadores entenderem essa jogabilidade. A história se torna um veículo porque tem um começo e um fim, e o jogador se move através dela. Na verdade, acho que seria bastante difícil fazer o oposto, começando pela história e depois tentando adaptar a jogabilidade a ela.”
Por Que Priorizar a Jogabilidade Funciona em Zelda?
Essa estratégia de desenvolvimento garante que os jogadores tenham uma experiência de jogo dinâmica, onde cada mecânica parece fazer sentido e ser intuitiva. Em Zelda, a história age como uma moldura, guiando o jogador de um ponto a outro, mas sem impor restrições ao design de jogabilidade. Isso permite que a equipe da Nintendo explore ao máximo as possibilidades dos cenários, puzzles e combate antes de pensar em como tudo se encaixa em uma narrativa.
O Caso de Zelda: Echoes of Wisdom
O jogo Zelda: Echoes of Wisdom é um bom exemplo de como essa abordagem funciona. Inicialmente, a equipe focou em definir as mecânicas que proporcionariam a melhor experiência de exploração e combate. Após estabelecer esses elementos centrais, a história foi introduzida, não como o foco principal, mas como um suporte para dar contexto e motivação ao jogador. O enredo funciona para contextualizar o mundo, os desafios e o desenvolvimento dos personagens, mas sem interferir no fluxo natural do gameplay.
Comparando Zelda com Outras Séries da Nintendo
Em Zelda, a história serve para enriquecer a experiência do jogador sem necessariamente comandar o rumo do design. Isso difere de outras abordagens em jogos focados em narrativas complexas, onde a história pode limitar as opções de jogabilidade. Em Super Mario, por exemplo, a história é praticamente inexistente e pouco mais do que um pretexto para a ação; já em Zelda, a trama é mais elaborada, mas não chega a dirigir o desenvolvimento do jogo.
Como Essa Abordagem Influencia o Filme de Zelda?
Com a recente confirmação de que Zelda terá um filme, a abordagem narrativa muda de foco. Diferente dos jogos, onde a jogabilidade define o rumo da história, o filme será guiado essencialmente pela narrativa. A produção do filme terá o desafio de traduzir os elementos da saga Zelda, especialmente aqueles relacionados ao universo rico e aos personagens icônicos, em uma narrativa envolvente que funcione no cinema. Para isso, o filme precisará se aprofundar mais na trama, explorando a jornada de Link e os mistérios de Hyrule sem depender da interatividade que é a alma dos jogos.
A Filosofia de Aonuma e o Futuro de Zelda
A filosofia de design de Aonuma e da Nintendo com Zelda é uma das razões pelas quais a série continua inovadora e empolgante para os jogadores. Ao permitir que a jogabilidade conduza a criação, os desenvolvedores mantêm a experiência de jogo sempre em primeiro plano, garantindo uma jornada envolvente e recompensadora, onde a história é apenas um complemento.
Essa abordagem também reforça a identidade única da franquia. Cada novo título de Zelda é um convite para que os jogadores mergulhem em um mundo onde a exploração, o combate e a resolução de enigmas são as forças motrizes, e onde a história funciona para dar vida e contexto a essa experiência. Essa liberdade de desenvolvimento permite que Zelda continue evoluindo, criando novas possibilidades e mantendo-se relevante entre os melhores jogos de ação e aventura de todos os tempos.
Sou entusiasta de Tecnologia, Gamer, Blogueiro e Editor do Portal do Pixel.