Ex-funcionários relatam cultura de crunch e monitoramento em estúdio de MindsEye

MindsEye’s Former Developers Speak Out Against Crunch Culture at Build A Rocket Boy
Imagem: Divulgação / Reprodução

Ex-funcionários do estúdio responsável por MindsEye vieram a público com relatos sobre uma cultura persistente de crunch que antecedeu e acompanhou o lançamento do jogo. Segundo profissionais que trabalharam em áreas como animação e cinematics, turnos prolongados e cargas extras se estenderam por meses, com impactos significativos na saúde mental e física da equipe. Muitos se sentiram constrangidos a admitir que fizeram parte do projeto, e houve quem evitou comentar publicamente por receio. Esses relatos apontam para práticas de gestão que combinaram sobrecarga de trabalho e falta de transparência.

Horas extras, remuneração e duração do crunch

Fontes afirmam que a exigência mínima era de oito horas diárias, mas a realidade frequentemente ultrapassava esse limite com funcionários acumulando muitas horas adicionais por semana. A equipe de cinematics teria ficado em situação de crunch por um período estimado entre seis e nove meses, sem pagamento de horas extras correspondente. O acúmulo de jornadas, somado às demandas pontuais do desenvolvimento, agravou sintomas de exaustão e problemas de saúde entre colaboradores. Há relatos de que nem todos receberam compensação ou reconhecimento proporcional ao esforço extra.

Monitoramento e quebra de confiança

Um dos fatores que motivaram declarações públicas foi a adoção de um software de monitoramento, que muitos profissionais consideraram invasivo e mal explicado pela liderança. Segundo pessoas ouvidas, a falta de clareza sobre quando e por que o sistema foi ativado aprofundou o desgaste e minou a confiança interna. A combinação entre fiscalização intensa e tratamento percebido como desrespeitoso foi descrita como o ponto de ruptura para quem decidiu falar. Repercussões nas redes mostraram preocupação sobre privacidade e práticas de gestão na indústria.

Impacto na equipe e no produto

Desenvolvedores relatam que a pressão prolongada resultou em adoecimentos que iam além do esgotamento comum, afetando tanto a produtividade quanto o clima interno. Alguns profissionais afirmam ter sentido vergonha ou constrangimento de associar seus nomes ao projeto devido às condições de trabalho enfrentadas. O quadro descrito levanta questões sobre responsabilidade da liderança e mecanismos de proteção ao trabalhador no setor de jogos. MindsEye está disponível para PC, PlayStation 5 e Xbox Series X/S, mas as denúncias destacam que, por trás do lançamento, havia uma rotina de sacrifícios humanos que precisa ser debatida publicamente.

Eduardo Reis

Sou entusiasta de Tecnologia, Gamer, Blogueiro e Editor do Portal do Pixel.
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