Analista: fim dos discos do PlayStation lembra remoção do drive óptico da Apple

Enquanto a Sony anunciou o fim da produção de discos físicos para o PlayStation, a reação na indústria e entre fãs tem sido variada. O analista Daniel Ahmad, da Niko Partners, afirmou que a mudança lembra a retirada do drive óptico dos computadores da Apple em 2008. Na visão dele, embora tenha havido muitas reclamações na época, elas se tornaram raras com o passar dos anos. Ahmad sugere que o mesmo processo de adaptação pode ocorrer para os consoles, com a maioria dos consumidores aceitando a transição ao digital.
O analista aponta que a migração já está em andamento e pode não acontecer imediatamente no PS6, mas seria inevitável até o PS7. Segundo Ahmad, as vendas digitais no PlayStation cresceram de menos de 10% antes do PS4 para cerca de 80% atualmente. No ecossistema Xbox, ele afirma que a participação digital ultrapassa 90%. Esses números consideram jogos digitais exclusivos, mas excluem receitas adicionais como DLCs, microtransações e assinaturas.
Por que a Sony pode abandonar os discos
Ahmad destaca fatores de mercado que favorecem o digital, incluindo uma base de usuários que já acumula bibliotecas online. Cerca de metade dos proprietários de PS5 estaria assinando o PlayStation Plus, o que facilita o acesso a jogos digitais. Entre os títulos mais jogados no PS5 em maio estão principalmente jogos digitais, como Minecraft, Apex Legends, Marvel Rivals, Fortnite e ARC Raiders. Esse comportamento de consumo reforça a vantagem de investir em distribuição digital.
Do ponto de vista financeiro, a venda digital reduz custos associados a cópias físicas, como a margem repassada a varejistas e despesas de logística. Ahmad lembra que a receita proveniente de vendas físicas representa uma fatia pequena do total de software da Sony, o que torna o impulso digital atraente. Além disso, conteúdos adicionais vendidos digitalmente, como microtransações e DLCs, aumentam a lucratividade por usuário. Em resumo, a combinação de menor custo operacional e maior receita por jogador incentiva a transição.
Impacto aos consumidores e controle do ecossistema
Uma mudança completa para o digital limita a possibilidade de troca ou revenda de jogos, o que beneficia o modelo de receita contínua das empresas. Ahmad afirma que essa tendência permite à Sony “maximizar o gasto por usuário” e ter controle maior sobre licenças e acesso ao conteúdo. Para muitos consumidores, a conveniência das bibliotecas digitais e das assinaturas já reduz a dependência de discos físicos. Por outro lado, jogadores que valorizam coleções físicas ou revenda podem ser os mais afetados pela mudança.
O analista também aponta um cenário de custos de hardware em alta, afirmando que o PS6 chegará a um mercado em que consoles podem custar mais de R$ 5.300 (conversão de US$ 1.000 a R$ 5,30). Essas cifras mudam a dinâmica de upgrade imediato por parte do público em geral, deslocando o foco para um público mais hardcore disposto a pagar mais. Ahmad acredita que a Sony aceita perder parte dos clientes que dependem exclusivamente de discos, desde que o ecossistema digital compense. Ainda assim, ele critica a falta de comunicação clara sobre o destino dos discos do PS4 e PS5, sugerindo que programas de transição poderiam ter atenuado a reação.
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