Ser bom enquanto seu grupo age por maldade em Baldur’s Gate 3

Por que ser bom fica complicado com um grupo malévolo

Trying To Be Good With An Evil Party Is Impossible In Baldur's Gate 3
Imagem: Divulgação / Reprodução

Na minha primeira jogada em Baldur’s Gate 3, escolhi a senda do mal: recrutei Minthara, ataquei o Bosque Druida e cometi várias atrocidades no caminho. Nesta nova tentativa estou jogando como um paladino dedicado, salvando vidas pela Costa da Espada e guiando os tieflings até a relativa segurança de Baldur’s Gate. O problema não é a história nem as escolhas disponíveis: é o meu próprio grupo. Enquanto tento manter meu juramento, companheiros com objetivos e métodos sombrios transformam cada decisão em um teste de coerência moral.

Companhia e coerção: o efeito dominó das personalidades

Atualmente levo Gale, que acabei transformando em um necromante, Minthara, obcecada por poder, e Astarion, o vampiro repleto de sarcasmo e ambição. Eles constantemente incentivam ações que visam ganho pessoal e desdenham de quem precisa de ajuda, minando a sensação de heroísmo. Mesmo Gale, que tem momentos de retidão, foi distorcido pela busca por conhecimento e poder, o que me deixa em posição desconfortável. A convivência com esses personagens faz com que atos nobres soem vazios diante das suas provocações e conspirações.

Recrutamento, trapaças e promessas duvidosas

Não matei os tieflings para alistar Minthara; eu a nocauteei, roubei suas roupas e a libertei da Torre de Moonrise esperando que ela mudasse de ideia. Em vez disso, ela insiste em soluções brutais, pedindo para aniquilar civis e aproveitar o poder do Absoluto para benefício próprio. Em Shar’s Gauntlet nós derrotamos inimigos para saquear e chegar ao Nightsong, mas isso também revelou rituais infernais ligados a Astarion. A descoberta expôs um plano de ascensão — Cazador poderia se tornar algo maior sacrificando seguidores — e colocou nosso grupo diante de uma escolha explosiva.

O dilema do paladino: salvar ou sacrificar?

Como paladino, jurei impedir o sacrifício e matar Cazador para poupar inocentes, além de libertar Astarion de sua servidão. Minthara, porém, sugeriu que deixássemos Astarion ascender no lugar do mestre e usar esse poder contra o Absoluto, substituindo um mal por outro em nome de um objetivo maior. É possível manter escolhas moralmente corretas em termos mecânicos mesmo com um grupo maligno, mas a sensação de bem-estar é corroída a cada sugestão e comentário malicioso. Trazer alguém disposto a massacrar refugiados para uma posição de influência soa não só arriscado, mas incompatível com o ideal que tento seguir.

Tentação, troca de companhia e custo pessoal

Eu poderia trocar os membros do grupo por aliados mais virtuosos, como Wyll ou Karlach, e preservar a integridade da campanha sem tanto conflito interno. Ainda assim, a química e a narrativa com Minthara e Astarion têm apelo — a presença deles torna a história mais intensa, mesmo que isso me arraste para decisões questionáveis. Estou perigosamente perto de quebrar meu juramento e ceder às promessas de poder; a narrativa do jogo facilita esse atrito entre ideal e pragmatismo. Atravessamos Baldur’s Gate com os tieflings a salvo, mas a tentação de permitir a ascensão de Astarion persiste, mesmo não estando no papel de Durge.

Ressurreições, experimentos e a relativização da moral

Para completar o desconforto, Gale aparece ao meu lado com zumbis das vítimas que falhei em salvar ou das que matei, sendo a personificação das minhas contradições. Transformá-lo em um necromante poderoso soa tão imoral quanto as propostas de Minthara e Astarion, e isso aprofunda a sensação de que minhas ações são constantemente neutralizadas pelos outros. Baldur’s Gate 3 permite criar narrativas complexas, mas a companhia errada pode transformar um arco redentor em uma sucessão de justificativas. No fim, a história se torna menos sobre ser bom e mais sobre resistir ao impulso de participar das soluções fáceis e sangrentas.

Reflexão final

O jogo da Larian dá liberdade para jogar do jeito que quiser, deixando espaço para conflitos morais e conflitos de personalidade dentro do grupo. Essa liberdade é ótima, porém desconfortável quando companheiros malignos subvertem cada boa ação que você tenta executar. Minthara tem um ponto ao dizer que poder facilitaria derrubar o Absoluto, mas o preço dessa estratégia é alto demais para meu paladino. No fim das contas, escolher ser bom em Baldur’s Gate 3 é menos sobre marcar opções morais e mais sobre resistir à influência daqueles ao seu redor.

Eduardo Reis

Sou entusiasta de Tecnologia, Gamer, Blogueiro e Editor do Portal do Pixel.
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